Nossa Obsessão Infinita de cada dia

Nossa Obsessão Infinita de cada dia

Esse ano, um restaurante de Nova York quis entender o porquê de ter começado a receber reclamações quanto à lentidão dos serviços, mesmo tendo expandido o quadro de funcionários nos últimos anos. Eles contrataram uma empresa para auxiliá-los e a sugestão foi a seguinte: comparar gravações internas atuais com as de dez anos atrás, que foram encontradas em fitas esquecidas em um depósito.

Ao analisar o comportamento dos frequentadores do restaurante em 2004 e em 2014 o resultado foi impressionante: de uma década para cá o tempo médio de permanência na mesa quase dobrou! O motivo? Um novo ingrediente que passou a fazer parte de todos os estabelecimentos e àqueles que o frequentam, os celulares. Enquanto em 2004 os clientes levaram 8 minutos até estarem prontos para pedir, em 2014, depois de se sentarem, passarem um tempo em seus smartphones, chamar o garçom para resolver assuntos referentes a conexão e WiFi, não terem decidido ainda quando o garçom foi até a mesa conferir se já haviam escolhido, pedir mais tempo, passaram-se 21 minutos.

É difícil contestar o poder e importância que os smartphones sustentam no cotidiano das pessoas. Sua presença está tão forte e absorta no dia-a-dia que é quase como se tivesse virado uma extensão de seus braços. Foi além do vício, virou uma necessidade estar sempre online e presente, verificar suas notificações, postar e mostrar onde se está, com quem está, comendo o quê, fazendo o quê, pensando nisso, querendo aquilo, com o máximo de selfies e fotos de comida possível.

Essa obsessão de tantos em se mostrar para ser cada vez mais visto por mais e mais pessoas acabou por ultrapassar os limites do eu-pessoal e está afetando o eu-coletivo. Em São Paulo, a exposição “Obsessão Infinita” da artista plástica Yayoi Kusama, no Instituto Tomie Ohtake, gerou um boca a boca tão grande que, além de ter recebido cerca de 500 mil visitantes (levando a filas de espera que teve o pico de 4h), foi um fenômeno de selfies. Os “interessados” gastaram mais tempo inserindo-se nas obras da artista para tirar (e compartilhar) uma foto do que contemplando e procurando entender e realmente admirar o cunho dessa exposição.

Fonte: G1

Fonte: G1

Parece que apreciar um momento de fato hoje em dia só é válido quando se tem e se vê seu registro nas redes sociais. O que muitos parecem não entender é que lidando com a realidade de forma virtual, através das câmeras ao invés dos olhos, o que se perdeu não foi um like, mas sim a própria realidade. E algumas empresas estão atentas a essa mudança de comportamento, pois veem que está afetando o consumo. Um café no Canadá está sendo equipado com um material especial para que no seu interior não exista nenhum sinal de celular, nem WiFi. Afinal, qual o proveito de juntar os amigos para ir a um café, restaurante ou barzinho, para chegar àquele(s) momento(s) “pause” durante a noite: as conversas param e cada um da mesa está usando seu respectivo smartphone?!

Fonte: Click Camboriu

Fonte: Click Camboriu

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Paulista, formado em 2010 pela Fundação Cásper Líbero, trabalha em agências online desde 2007, com foco maior na área de Business Intelligence e Social Media, além de ter atuado com Links Patrocinados e Mídia.